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Carreira

A inteligência artificial e o valor de uma boa mentoria

Augusto Oliveira · 13 de outubro de 2026

A inteligência artificial e o valor de uma boa mentoria

Imagine uma profissional que chega ao domingo à noite decidida a mudar de carreira. Abre uma ferramenta de inteligência artificial, descreve sua experiência e pede um plano. Em segundos, recebe uma sequência de cursos, sugestões para o currículo e um roteiro para procurar emprego.

A resposta parece organizada. Ela salva tudo. Na segunda-feira, porém, a dúvida continua: por onde começar sem comprometer o trabalho que paga suas contas? A ferramenta ajudou a reunir possibilidades. Escolher entre elas ainda exige compreender a própria realidade.

Essa cena imaginada ajuda a explicar uma questão cada vez mais próxima da vida profissional. Quando ficou tão fácil conseguir uma resposta, precisamos prestar atenção à maneira como avaliamos o que recebemos. É nesse trabalho de reflexão que a mentoria pode contribuir.

A resposta pronta ainda precisa de julgamento O Work Trend Index 2026, da Microsoft, ouviu 20 mil profissionais que já utilizavam inteligência artificial no trabalho, em dez países. Entre os participantes, 46% apontaram o pensamento crítico como uma habilidade humana que ganha importância à medida que a IA assume mais tarefas. O relatório foi publicado em maio de 2026. [1]

Na prática, pensar criticamente significa verificar as razões de uma recomendação. Uma mudança pode parecer excelente no papel e exigir um tempo de estudo que a pessoa ainda não consegue reservar. Uma vaga pode oferecer aprendizado e trazer uma rotina incompatível com suas responsabilidades atuais.

A IA pode ajudar a comparar essas condições, desde que elas entrem na conversa. Por isso, vale perguntar o que ficou de fora da primeira descrição. A qualidade do plano depende também da disposição de quem o pediu para apresentar dificuldades, reconhecer dúvidas e conferir informações.

O contexto muda o conselho. Voltemos à profissional do início. Em uma conversa de mentoria, ela pode descobrir que deseja sair do emprego principalmente porque deixou de aprender. Talvez a mudança de área faça sentido. Talvez exista a possibilidade de assumir um projeto diferente antes de fazer uma transição maior.

Um mentor que conhece a atividade pode ajudar a investigar essas alternativas. Que tarefas fazem parte da nova função? Quais conhecimentos ela já possui? Como experimentar uma pequena parte desse trabalho antes de investir meses de preparação? São perguntas que tornam a escolha mais concreta.

A experiência do mentor também precisa ser examinada. O caminho que funcionou para ele pode ter dependido de condições diferentes. Uma orientação útil deixa espaço para essa comparação e permite ao mentorado discordar, pedir exemplos e explicar seus limites. Uma conversa que prepara a próxima ação

Na Plataforma Negro, defendemos uma mentoria que ajude a pessoa a compreender suas opções e assumir suas escolhas. A tecnologia pode participar desse processo, organizando informações ou ajudando a formular perguntas. O acompanhamento humano pode acrescentar experiência e uma leitura mais próxima das dificuldades relatadas.

Para aproveitar essa combinação, leve à próxima conversa uma decisão específica. Apresente o que pesquisou, explique por que uma alternativa chamou sua atenção e identifique o que ainda não conseguiu verificar. Peça ao mentor que examine as condições do plano e conte onde enxerga dificuldades.

Antes de encerrar, escolha uma ação que caiba na sua semana. Pode ser conversar com alguém que exerce a função desejada ou realizar uma atividade introdutória da área. Combine quando voltará ao assunto e o que pretende observar nessa experiência.

A profissional que começou o domingo procurando um roteiro pode terminar a conversa com uma pergunta mais precisa e um passo possível.

Ao abrir novamente o plano, ela terá algo próprio para acrescentar: o que descobriu quando começou a colocá-lo à prova.

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  • mentoria
  • pensamento crítico
  • carreira
  • tomada de decisão

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