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Carreira

Filosofia e mentoria nas escolhas que definem nossa vida

Augusto Luiz de Oliveira Filho · 29 de setembro de 2026

Filosofia e mentoria nas escolhas que definem nossa vida

Por Augusto Oliveira, engenheiro civil e fundador da Constremat Engenharia

Antes de se tornar Alexandre, o Grande, ele foi um adolescente que precisava aprender.

Por volta de 343 a.C., quando Alexandre tinha cerca de 13 anos, seu pai, Filipe II, rei da Macedônia, convidou Aristóteles para participar de sua formação. Em linguagem atual, podemos dizer que Alexandre foi mentorado pelo filósofo, que atuou como seu preceptor, um professor responsável por parte de sua educação.

Segundo Plutarco, que registrou essa história séculos depois, os estudos aconteciam em Mieza, em um local associado ao santuário das Ninfas, com bancos de pedra e caminhos à sombra das árvores. Seu relato associa essa formação a ensinamentos de ética e política.

Um jovem que viria a exercer enorme poder teve um filósofo entre seus mestres. Sabemos pouco sobre os detalhes das conversas entre os dois, mas esse encontro me faz pensar no espaço que reservamos para aprender antes de assumir novas responsabilidades.

Hoje, as decisões podem envolver uma família, uma equipe ou uma empresa. E a filosofia pode nos ajudar a examinar as razões pelas quais escolhemos um caminho e as consequências que essa escolha traz para outras pessoas.

A filosofia aparece nas decisões de todos os dias

Pense em uma situação comum. Alguém critica uma atitude sua e, antes de terminar de ouvir, você já está preparando a defesa. A vontade de provar que está certo ocupa todo o espaço da conversa.

A reflexão filosófica pode começar justamente aí. Existe alguma verdade naquela crítica? O que sustenta a minha opinião? Estou disposto a mudar de posição se perceber que me enganei?

Em casa, essa disposição aparece quando ouvimos alguém com atenção ou reconhecemos que fomos injustos. Na vida profissional, aparece quando revemos uma decisão depois de escutar quem será afetado por ela. Admitir um erro exige encarar a própria vaidade e assumir a responsabilidade de corrigi-lo.

A filosofia também nos ajuda a examinar o que chamamos de sucesso. Uma promoção pode trazer satisfação e, ao mesmo tempo, exigir uma rotina que precisa ser discutida com a família. Entender o que valorizamos ajuda a decidir com mais consciência sobre o que estamos aceitando.

O caráter também se constrói na prática

Na Ética a Nicômaco, Aristóteles relaciona a formação do caráter ao hábito. Ele recorre a um exemplo próximo de quem trabalha na construção: aprendemos a construir construindo. Da mesma forma, tornamo-nos justos pela prática de ações justas.

Essa ideia faz sentido para mim quando olho para o cotidiano de uma obra. O respeito por uma equipe aparece na maneira como orientamos o trabalho e fazemos uma cobrança. A responsabilidade aparece quando informamos um problema ao cliente e assumimos o que precisa ser corrigido.

São escolhas que se repetem. Prometer um prazo exige considerar se ele pode ser cumprido. Reconhecer o trabalho de alguém exige dar o devido crédito. A forma como agimos nessas situações revela os valores que conseguimos colocar em prática, especialmente quando há pressão.

Como a mentoria ajuda a pensar melhor

Imagine um profissional que recebe uma proposta para ganhar mais. Ele chega à conversa com seu mentor quase decidido a aceitar. Ao explicar a oportunidade, começa a ser questionado sobre a rotina do novo trabalho, o que pretende aprender e o tempo que terá para a família.

Talvez ele aceite. Talvez perceba que precisa negociar algumas condições. O valor daquela conversa está em ajudá-lo a enxergar aspectos que o entusiasmo inicial deixou de lado. A decisão continua sendo dele.

É assim que vejo a aproximação entre filosofia e mentoria. O mentor compartilha experiência, escuta com atenção e questiona ideias que estamos tratando como certezas. Para que essa troca funcione, também precisamos estar dispostos a ouvir algo que contrarie nossa primeira impressão.

Considero essa postura valiosa em um espaço como a Negro Mentoria. Uma orientação precisa levar em conta a realidade de quem está sendo ouvido, inclusive suas responsabilidades e as barreiras que encontra. Refletir sobre escolhas exige conhecer as condições em que elas são feitas.

A história de Alexandre e Aristóteles continua interessante porque nos permite olhar para essa relação entre aprender e assumir responsabilidades. Ter orientação não dispensa ninguém de responder pelas próprias atitudes.

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